02 set 2015

Por em Artigos, Campeonato Brasileiro, Campeonatos, Destaque | 1 Comentário


Um Cruzeiro de mudanças – Ventos a nosso favor

Confesso. Mais um texto lamentando a fase do Cruzeiro já estava pronto. Além das tristezas que vinham se acumulando em ver o time celeste se afundando cada vez mais na temporada, a decepção de se entregar por completo ao time do coração e ter em troca uma equipe que nos últimos anos conquistou o Brasil por duas vezes seguidas, mas que em seis meses se viu lutar contra a zona de rebaixamento, estava presente em cada linha de mais um amontoado de estrofes escritas por apenas mais um cruzeirense apaixonado.

“Muito prazer, meu nome é otário” era o título que preferi dar à coluna, em homenagem ao ilustre Humberto Gessinger – ícone da música nacional e um grande fã de futebol. Não tive opções: era necessário explicitar em palavras, ainda que de maneira simplória, a frustração de não poder ir mais ao Mineirão esperando que o Cruzeiro pudesse emplacar ao menos um bom resultado, ou até mesmo de não poder buzinar nas ruas de Belo Horizonte pela conquista de mais três pontos, coroando uma partida de entrega e  de raça, um prazer cada vez mais raro. Um desapontamento em não poder renovar o Sócio do Futebol justificando que não poderia perder o meu lugar garantindo em minha segunda casa quando o Cruzeiro levantasse mais uma taça, mas um orgulho de poder dizer que, naquele momento, tinha provado a minha paixão como milhares de outros cruzeirenses e me fechado definitivamente com o time do meu coração, mesmo estando na ponta do casco e fora do páreo.

Com o Luxa no comando, vimos 19 partidas. Em 10 delas, tivemos um Cruzeiro abatido dentro de campo, que saiu dos 90 minutos derrotado, sem nem mesmo dar sinais de que poderia continuar lutando. Dentre elas, uma eliminação na Copa do Brasil e inúmeros outros motivos para nos deixar indignados com a situação do clube. Na última oportunidade que tivemos de ver o nosso time do coração de perto, nos entristecemos por mais uma derrota – muito preocupante, por sinal – , mas nos alegramos por uma demonstração de um amor inexplicável pelas cinco estrelas vindo das arquibancadas, que supera qualquer jogador, qualquer treinador e qualquer diretoria.

Foram quase trinta minutos em que apenas 8 mil torcedores ecoaram o nome do tetra campeão brasileiro pelo gigante da Pampulha, e, naquele momento, conseguiriam mover moinhos de vento, mesmo por amor às causas perdidas. Foi o suficiente para que um choque de realidade pudesse alcançar a diretoria do clube e um dia após a décima primeira derrota do Cruzeiro no Campeonato Brasileiro, o primeiro passo para uma virada no jogo pudesse ocorrer. O presidente Dr. Gilvan, diante de uma coletiva de imprensa, anunciou o que a torcida cruzeirense vinha esbravejando das arquibancadas há dias e sem nenhum tipo de hipérbole, colocou o Cruzeiro de volta aos trilhos da temporada.

Mano Menezes (Fonte: UOL)

Mano Menezes (Fonte: UOL)

De início, tirou Luxemburgo do comando do clube e mandou junto Tinoco, diretor de futebol que em pouquíssimo tempo, conseguiu se jogar contra os cruzeirenses em apenas uma fala talvez mal intencionada. Já Vanderlei Luxemburgo, mergulhado em seus conceitos ultrapassados e em suas contradições,  precisou de três meses para deixar o Cruzeiro na ponta da zona de rebaixamento, mesmo exaltando à todo instante a grandeza do clube. Enfim, manteve o Cruzeiro por 19 partidas como um ás de espadas fora do baralho.

Como redenção por um momento de uma enorme crise de gestão e uma queda livre que parecia interminável, o presidente Gilvan anunciou que Mano Menezes é o novo treinador do Cruzeiro, indicado pelo mais novo vice-presidente do clube: Bruno Vicintin, um dos maiores responsáveis – senão o responsável – pela ascensão sem escalas da base do time estrelado. Um mesmo plantel, mas com uma nova metodologia e uma nova gestão. Sem nem mesmo demonstrar resultados dentro de campo, as mudanças promovidas fora dele foram uma injeção de ânimo na torcida, que agora vê um ótimo motivo para voltar a jogar junto e esperar o melhor frente ao restante da temporada.

E, por isso, o presidente não economizou nos motivos para deixar o torcedor estrelado esperançoso. Em seis meses, viram um Cruzeiro perder também para si mesmo e se afastar até mesmo do torcedor mais apaixonado. As promoções nos preços dos ingressos e acordos para voltar com o torcedor para o lado das quatro linhas, são mais alguns bons combustíveis para trazer de volta os gritos de incentivo e a força que o Cruzeiro precisa para sair da zona de perigo.

Agora, à cada jogo e à cada trilha sonora, espero deixar de contar a história de Dom Quixote, contada pelos Engenheiros do Hawaii, para que tudo fique tão claro e o que era raro, fique comum, como um dia depois do outro, como um dia, um dia comum. Chegou a hora do Cruzeiro começar, de fato, a salvar a temporada. Fechados e eternizados, vamos fazer com que os ventos voltem a soprar a nosso favor, mesmo que eles às vezes erram a direção. AVANTE CRUZEIRO!!

Retirado do Blog do Torcedor – Globo Esporte


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Gustavo Vaz

Olá, meu nome é Gustavo Vaz, sou estudante, e nas horas vagas escrevo sobre o Cruzeiro, há quase 5 anos. Utilizo dos textos para expressar minhas opiniões aliadas à minha paixão pelo maior de Minas.



  • Gilvan Fontes

    só poderemos dizer que o cruzeiro estará “de volta ao trilhos” quando os resultados começarem a acontecer mas ainda não aconteceram entretanto estamos vendo mudanças então podemos ficar otimistas sim que o cruzeiro vai melhorar!!!